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Pesca&Dicas

PESCANDO ENCHOVA COM FLY
 


   

 

Normalmente do mês de maio chegam as primeiras frentes frias fortes do ano. Como conseqüência, a Corrente do Brasil, com suas águas quentes, que se aproximou da costa durante todo o verão, afasta-se dando lugar à corrente das Falklands (Malvinas), com água bem mais frias. Este resfriamento das águas costeiras causa algumas mudanças no meio marinho. Espécies abundantes no verão, como os Dourados e os Bonitos, se tornam cada vez mais raras à medida que a temperatura da água cai. Outras espécies, porém, parecem gostar dessa água fria e tornam mais ativas.  Entre elas, a Enchova.

A Enchova (Pomatomus saltator) pertence à família dos pomatomídeos. Ocorre na região oeste do Atlântico, desde a Argentina até a América do Norte. São consideradas as maiores predadoras dos cardumes de Sardinhas. Extremamente vorazes, se alimentam de outro peixes grandes em relação ao se tamanho como Tainhas, Espadas e também de Enchovas menores.

Vivendo quase sempre em cardumes, as Enchovas passam boa parte do dia se alimentando em águas mais profundas e frias. Só procuram as águas rasas, e de preferência com correnteza e arrebentação, em alguns momentos (os peixes de que elas se alimentam ficam desorientados em meio à arrebentação). Nessas horas, normalmente ao amanhecer e ao alvorecer, os cardumes atacam praticamente qualquer coisa que se mova á sua frente, causando um verdadeiro pânico entre os peixes menores que chegam a saltar fora da água para fugir. Nos momentos de maior correnteza do dia, que são os picos de vazante e de enchente, as Enchovas também costumam se alimentar próximas da arrebentação, independente do horário. O hábito de se alimentar nas proximidades de costões rochosos e com forte embate das ondas, principalmente durantes os meses mais frios do ano (no verão também são realizadas grandes pescarias de Enchovas, só que com menor freqüência do que no inverno), faz com que sejam conhecidas por marisqueira e tornam a sua pesca uma experiência fascinante.


Durante muitos anos a técnica mais utilizada para a sua captura era o corrico, onde grandes plugs de meia água eram rebocados lentamente por uma embarcação próxima das pedras. Porém, há algum tempo se descobriu que parar a lancha próximo das pedras e arremessar as iscas, molinetes ou carretilhas, e recolhê-las, eram bem produtivo e seguro, pois a lancha podia ficar mais longe do costão.                 

 Categorias de Fly:

 Deixando os molinetes e as carretilhas de lado, vamos falar da pesca de Enchova no fly. Este pode ser considerado o maior desafio para um pescador esportivo aqui nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, pois é preciso dominar técnicas de arremesso para poder lançar um grande streamer, de 10 a 20 cm de comprimento, em pé sobre uma lancha no meio da arrebentação e às vezes com vento. Além de as Enchovas serem grandes lutadoras, rompendo tippets de 20 lb com a maior facilidade. Podemos dividir a pesca da Enchova com material de fly, e também com material de bait casting, em três categorias distintas.

A primeira e mais comum é a realizada em costões e pontas de ilhas, principalmente do lado oceânico, de preferência com forte arrebentação. Nesse caso, os materiais mais indicados são as varas número 9 ou 10, linhas shooting heads afundativas (sinking) com densidade 1 ou 5, atadas a 30 metros de uma linha especial de monofilamento com perfil achatado, com 30 lb de resistência, chamada cobra (fabricada pela Cortland). Uma carretilha que comporte 200m de backing mais a linha de fly. Leaders curtos com mais ou menos um metro e meio, um pequeno shock leader de arame de aço inox e no final um grande streamer branco com dorso escuro e bastante flashabou  (material sintético refletivo). Esse equipamento constitui o material mais indicado para se pescar na arrebentação. As varas 9 ou 10 são as mais indicadas, pois na maioria dos dias em que as Enchovas estão pegando, o mar costuma estar bem  agitado, não permitindo que o barco se aproxime das pedras. Uma vara 7 ou 8, por exemplo, não tem o poder de alavanca para tirar uma Enchova de 5 kg (tamanho comum de ser capturada) das proximidades das pedras ou do fundo.


Linha shooting heads afundativas (sinking) são justificadas por proporcionarem longos arremessos sem a necessidade de vários false casts e também por afundarem rapidamente, não embolando com as ondas; devemos nos lembrar ainda que as linhas shooting heads devem ser adquiridas sempre com um ou dois números acima a vara em que vamos utilizá-las.  Numa vara número 10 monta-se uma linha número 12 com densidade 4.

Com esse equipamento obtêm-se excelentes resultados. Usando linhas afundativas, devemos ainda utilizar leaders curtos para o streamer afundar rapidamente junto com a linha. O pequeno shock leader de arame (15 cm é suficiente) evita que um cardume de Enchovas menores, normalmente mais vorazes, cortem a linha ao tentar roubar a isca da boca da outra. Também no caso de uma grande Enchova engolir a isca, o arame não deixará que os seus dentes, afiadíssimos, cortem a linha. Finalmente as carretilhas devem ter um sistema de freio (pois as Enchovas são peixes muito fortes e lutadores), além de serem resistentes à corrosão. Uma Enchova de 5 kg fisgada com uma vara 10 e um tipper de 10 01 12 lb de resistência, não é embarcada em menos de meia hora e provavelmente a algumas centenas de metros de onde foi fisgada.


O procedimento para se pescar é o seguinte: com uma pessoa experiente no comando da embarcação, a lancha deve se aproximar o máximo possível das pedras, sem no entanto comprometer a segurança. Com o motor sempre ligado, a lancha deve ficar paralela à costeira. O lançamento tem que atingir a menor distância possível das pedras, pois a maioria dos ataques ocorre a não mais de 5 metros das mesmas, e deve ainda ser realizado no sentido da correnteza ou perpendicular a ela. A linha deve ser recolhida rapidamente com puxões longos. Alguns pescadores costumam colocar a vara embaixo do braço e luxar a linha com duas mãos. Esta técnica desenvolvida nos Estados Unidos é bastante eficiente, pois além de conseguirmos imprimir bastante velocidade no streamer, sempre estaremos com a linha em uma das mãos facilitando a fisgada. Esta tem que ser bem forte, mas de modo que o tipper resista. As Enchovas têm uma boca bem dura e costumam saltar fora d’água. Portanto é bom que o anzol se crave firmemente.

A segunda modalidade é a realizada sobre os parcéis, visando capturar as Enchovas que se alimentam no fundo, e consiste em se ancorar a lancha sobre um desses parcéis. Deve-se lançar uma linha shooting taper com miolo de chumbo (scientific anglers deep water Express) contra a correnteza e deixá-la afundar até que passe da lancha. Recolha-a com longos puxões.


As iscas mais indicadas são os clousers minnows atados em anzóis 3/0, de preferência brancos com o dorso limão e grandes olhos de chumbo para afundar junto com a linha. O resto do material é o mesmo. Somente a vara deve ser para uma linha acima de 10, a fim de poder lançar uma linha com miolo de chumbo. Essa pescaria é especialmente eficiente no verão, quando as Enchovas procuram as águas mais frias e fundas.

A terceira, e sem dúvida a mais divertida, é sobre um cardume se alimentando na superfície.

Use então uma vara 8 com linha WF81 do tipo big game ou tarpon tapper, para poder ser lançada rapidamente sobre os peixes, um Popper branco ou um deceiver vão proporcionar momentos de grande emoção. O ataque de uma Enchova num Popper é algo que precisa ser visto, o único problema é que um Popper de cortiça ou madeira balsa dura somente três ou quatros Enchovas, sendo após alguns ataques totalmente destroçado. Basta se aproximar lentamente dos peixes e lançar o popper na frente do cardume para que ele seja atacado violentamente. Por fim, não devemos parar de recolher o Popper quando é atacado; caso contrário as Enchovas perdem o interesse.

 


 

Embarcando o peixe:

 O embarque de uma Enchova deve ser realizado de acordo com o destino que ela vai ter: se o seu destino for o forno ou a grelha, onde fica deliciosa, é melhor embicheirá-la pela cabeça e colocá-la imediatamente no gelo; se for liberá-la, o bicheiro dever ser introduzido dentro da boca e pelo maxilar inferior, furando somente uma fina pele. Na hora da fotografia devemos evitar duas coisas: a primeira é pegar o peixe com as mãos secas para não danificar o muco protetor que cobre o seu corpo; a segunda coisa é evitar levantar o peixe pela cauda, pois os seus órgãos internos poderiam de deslocar, causando sua morte. Normalmente, se as Enchovas forem manuseadas com cuidado, elas suportam em duas ou três fotografias, partindo como raio assim que são colocadas de volta à água. Não devemos embarcar peixes com menos de 45 cm e um limite diário de quatro ou cinco peixes por pescador parece bem razoável.

Por fim, é sempre bom tomar bastante cuidado ao se manusear um peixe com dentes bem afiados, como esses. Se você estiver pescando com um guia, deixe que ele cuide do embarque do peixe e da retirada do anzol.


 

Dê preferência a anzóis cromados ou inoxidáveis, pois o seu brilho funciona como um atrativo adicional. Lembre-se de retirar a farpa principalmente dos anzóis inoxidáveis. Um anzol sem farpa penetra mais facilmente e, no caso de o peixe romper a linha, ele conseguirá se livrar da isca, não precisando carregar para o resto da vida um anzol agarrando à boca.

O tamanho da isca deve variar conforme o tamanho dos peixes que estiverem servindo de alimento. Por exemplo, no final da primavera e início do verão o tipo de alimento mais farto são pequenos Manjubas e Sardinhas com não mais de 4 ou 5 cm; no final do verão e no início do outono essas Sardinhas já estão com seus 9 ou 10 cm. No inverno as vítimas são Paratis, Tainhas, Carapaus e pequenas Enchovas (o tamanho varia até uns vinte centímetros). Como em qualquer pescaria, use boné, colete e óculos, de preferência polarizados. São equipamentos de segurança indispensáveis. Também é sempre bom ter-se à mão filtros solares, repelentes e capa de chuva.

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